O vulto
O vulto jazia na pequena sala em frente a um computador da moderna tecnologia, controlável por seu pensamento através de pequeno dispositivo disfarçado entre os seus cabelos longos e desarrumados: um aro de cabelo eletrônico que em nada lhe prejudicava a silhueta. Do outro lado da sala, uma bicicleta ergométrica lhe permitia o controle do peso. A parede da sala era o seu monitor. Por ele controlava todos os equipamentos do lar, desde o forno de micro ondas à pequena máquina de lavar a seco, regular a temperatura do chuveiro elétrico. Sentiu um desejo incontrolável de ver neve, esquiar, sentir frio. Não buscava explicações em seus desejos. Para ele, os desejos não necessitavam de explicação. Eram vontades que podiam ou não podiam ser concretizados. Se podiam ser concretizados, ficava feliz. Caso contrário, mudava sua vontade para desejos que pudesse concretizar e continuava feliz do mesmo jeito.
Ligou o ar condicionado para o frio máximo, vestiu um abrigo quente, ligou a parede-monitor num programa de esqui na neve nos Alpes suíços, e postou-se adequadamente no meio da sala. Logo estava esquiando a toda a velocidade, seu corpo acompanhando a velocidade vertiginosa na descida da montanha... Sabia que há muito tempo atrás isso era possível fazer ao vivo, mas os turistas deixavam muito lixo desde o caminho de acesso até a sua saída do parque, e os hotéis não tinham nada de politicamente correto em meio a essa natureza, e acabaram fechando as portas. A natureza deveria ser conservada virgem... Achava em particular que era isso que se buscava na humanidade: a virgindade do planeta, a natureza pura, sem nada que a pudesse poluir. Buscavam o mesmo na consciência humana, O planeta todo clamava por pureza de sentimentos.
O vulto sentiu-se cansado. Fazia meia hora que descia uma montanha que nunca tinha fim. Faltava naquele programa o “chegar ao fim”, tirar os esquis, colocá-los dentro de um carro, subir a montanha e tomar alguma coisa no bar do hotel. Desligou o programa, despiu os agasalhos, condicionou o ar para temperatura ambiente e foi até a geladeira. Apanhou umas pedras de gelo, e colocou num copo. No liquidificador bateu um tomate com sal, pimenta do reino, hortelã e coentro. Despejou tudo no copo com o gelo e tomou o seu “Bloody Mary” sem álcool. Tomar álcool era politicamente incorreto. O vulto não fazia isso. Nem fumava qualquer tipo de qualquer coisa fumável. Não tomava drogas em absoluto. Sexo era coisa muito rara. Por vezes confundiam sua conversa com assédio sexual, e sentia-se desconfortável. Outras vezes constatava que não se tratava de uma mulher, como desejava, mas não podia reclamar, sem ser confundido com homofobico. Não tinha muitos prazeres diferenciados na vida. Limitara-se a viver dentro de uma estreita faixa de prazeres que podia alcançar, e qualquer outro que tivesse, por inesperado, era contabilizado como lucro do mais alto valor.
Acabou de tomar o drinque sem álcool, pousou o copo na pia da mini cozinha e apanhou uma folha de papel que passou cuidadosamente pelo copo até ficar limpo. Jogou o papel numa cesta de lixo, e apanhou outro com um forte cheiro de álcool. Repetiu a mesma operação. Agora o copo estava limpo e não gastara uma só gota de água, exceto pela que fazia parte do álcool adulterado que impregnara o segundo papel. Tinha consciência que adulterar o álcool não era politicamente correto, mas o governo estava trabalhando nisso com afinco. Um dia seria possível. Pensou no que poderia fazer para se distrair de uma forma diferente. Sentiu necessidade de sair. Precisava de companhia que não fosse virtual. Até recentemente fizera parte de grupos virtuais na NET, onde todos eram amigos. No início, quase todos expuseram as suas fotos, as fotos da família, dos amigos da vida real, e depois se arrependeram porque dos amigos virtuais, uns o eram, outros não. Com tantas perseguições que ocorreram já não se encontravam perfis virtuais que correspondessem a perfis reais. Aquela virgindade e pureza tão procuradas como modelos para a natureza do planeta e do espírito humano perderam muito com a realidade. Os grupos se transformaram, a NET se transformou. O mundo todo tinha mudado. Já não era possível usar um tipo de letra para postar. Era um modelo único, que despersonalizava, como se todos “falassem” impessoalmente. A NET agora servia apenas para consultas, comércio, e comunicação entre familiares e amigos no mundo real. O mundo ficara melhor nos conceitos, mas na pratica estava ainda pior. Era o que o vulto apreciava quando assistia a filmes antigos, reportagens antigas, descrição dos hábitos de um viver que ficara muito para trás, e que nem chegara a conhecer. Precisava sair e sorver um ar diferente.
Quando abriu a porta de acesso, junto ao muro do condomínio, relutou em prosseguir. A rua estava impossível de ser freqüentada. Estava quase vazia porque eram poucos os automóveis que eram permitidos circular por usarem combustíveis fósseis e poluentes. O uso de hidrogênio como combustível tinha sido banido por obrigar á decomposição da água, cada vez mais cara. O petróleo somente era usado por forças armadas por sua potência, que dava aos motores grande torque e velocidade. O álcool era impossível de usar por ser perigoso para a saúde humana: muitos o tomavam ou cheiravam e a falta de alimentos no planeta não podia desprezar mandiocas, batatas, milho, e outros alimentos desperdiçados para produzir álcool. Nada disto era politicamente correto, e as fábricas de automóveis foram á falência. Somente transportes públicos movidos a energia elétrica de proveniência eólica, da força das marés, de hidroelétricas eram permitidos. O mundo demorara quase duzentos anos para perceber isso, e alimentara muitas guerras pela posse de combustíveis fosseis caros e poluentes. Mas mesmo com as ruas quase vazias, o território da cidade era muito diferente daquele de que dispunha em sua casa com toda a privacidade. A rua não era lugar seguro. Ir a centros de convivência cultural, para que os seres humanos pudessem desfrutar do toque, da troca de informações reais, era quase o mesmo que o da NET e em pouco tempo deveria extinguir-se: A pessoas precisavam de muito tempo para se conhecer e adquirir aquela confiança que lhes permitia o abrir do espírito e o prazer de coexistir. No mundo, todos eram estranhos, difíceis de conversar, susceptibilidades á flor da pele.
O vulto deu alguns passos pela rua, até divisar numa esquina um assalto a um casal que passava desprevenido. Cautelosamente voltou sobre os próprios passos, e voltou a passar pelo portão que se abriu automaticamente. Subiu o elevador, entrou em sua mini sala, ligou a TV na parede monitora. Hora de noticiário. Uma agradável apresentadora dava as notícias do dia. Havia passeatas em frente ao Congresso reclamando por trabalho, uma guerra no Oriente Médio e outra em África, Um governador de Estado e dois senadores envolvidos em corrupção ativa e passiva dizendo que eram inocentes, e o Movimento pelo Direito das Crianças, com integrantes entre os oito e os 12 anos de idade, pediam liberdade de expressão, direito de liberdade em seus relacionamentos, e controle do próprio horário para estudos, para dormir, e de relacionamentos com privacidade total. Exigiam ainda independência completa para decidir sobre o que fazer com a mesada financiada pelo Estado, a ser paga quando se formarem e arranjarem emprego, ou protelar a dívida até que trabalhem, uma espécie de escravatura consentida disfarçava de legal por força de contrato que violava os direitos da criança.
O vulto desligou a TV escovou os dentes, e olhou-se no espelho antes de se deitar. Vivia sozinho e tinha apenas 13 anos
Rui Rodrigues
sábado, 29 de outubro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
A capacidade de resposta da Democracia Participativa no Senado
Todos nós sabemos que existem milhares de propostas de lei pendentes no Senado nacional. Ficamos nos perguntando porque razão não são votados, se temos – ou deveríamos “ter” – 81 senadores, três de cada Estado, para resolver assuntos tão importantes.
Todos nós sabemos que a “velocidade” do desenvolvimento social e sob todos os aspectos, da Nação Brasileira, dependem da velocidade com que tais projetos são colocados em votação, aprovados, publicados para surtir efeito. Alguns projetos arrastam-se há anos...
Convenhamos que esses 81 senadores, mesmo trabalhando de terça a quinta, e com altíssimos salários, nos levam um bom dinheiro, que seria muito menos se não lhes pagássemos as horas extras que somos obrigados a pagar, inclusivamente porque não trabalham sexta feira... Seria melhor que trabalhassem às segundas e sextas feiras para não pagarmos tantas horas extras.
Os projetos não são aprovados porque há muitos interesses em jogo e que não são de interesse comum. Como lhes é permitido, alguns senadores se juntam em bloco e saem da sala para não dar “quorum” á votação. Por falta de quorum, a votação é adiada... Já houve quem, numa Câmara, se juntasse num grupo de duas pessoas e aprovassem 118 projetos em três minutos. Evidentemente que, apesar de poderem existir aspectos legais que possam permitir tais votações relâmpago, ou pelo menos gerar dúvidas sobre a legitimidade, nós, cidadãos, percebemos perfeitamente que esse método não é correto. Fica-nos a impressão de que no Senado e nas Câmaras, existem coisas mais importantes do que dar respostas aos cidadãos.
Na Democracia participativa, milhares de projetos podem ser colocados em votação para o voto público. Cidadãos terão um prazo para votar. Todo o dia cessará o prazo para a votação de alguns projetos, e se iniciará o prazo para novos projetos. Porém, a sociedade pode votar a qualquer hora do dia ou da noite através de redes sociais, NET, celular, ou postos específicos para votação, a exemplo do que se faz hoje com os Bancos 24 horas...
Com um sistema assim, o cidadão não dependerá de 81 senadores cansados de tanto trabalhar, de tanto andar de avião, de tantas reuniões, de tantos convites para almoços e jantares, inaugurações, que não lhes permite nem raciocinar direito... E como se não fosse suficiente, ainda têm que obedecer às diretrizes dos respectivos partidos, tornando-os autômatos, robotizados, acenando com a cabeça para cima e para baixo ou para os lados, de forma tal que se não tivessem cérebro não faria diferença nenhuma...
Rui Rodrigues
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Porque qualquer um pode ser Presidente, ....
Vice-presidente, ministro, senador, deputado, vereador, prefeito...
Não é necessário ser ilustrado, fazer cálculos matemáticos, entender de medicina, de administração, de filosofia, ou de qualquer outro ramo das ciências exatas ou não exatas, mas muitos de nós não percebemos a razão desta “não necessidade” de um deputado, por exemplo, não precisar entender nada de nada, podendo ser completamente analfabeto, ou ser jogador de futebol que não pagava a pensão alimentícia à mulher...
Não percebemos as razões porque nos falta educação. Não percebemos porque nos obrigam a viver sempre de esperanças em governos melhores, e quando os candidatos passam apregoando o que vão fazer por nós, em “seu” governo, votamos neles, com toda a nossa ignorância e todas as nossas esperanças, dizendo a nós mesmos: “agora vamos” !!!
Não vamos... Assim, não vamos, não iremos! E nem importa quantas passeatas se possam fazer por dia, por mês, por ano...
Não vamos, não fomos e não iremos, porque não existem representantes no senado que representem todas as profissões que existem neste Brasil. Eles são 81, os senadores, e existem muito mais do que 81 profissões da classe trabalhadora, algo em torno das 800... Aliás, são poucas as profissões que têm seu representante no Senado que “entenda” das necessidades de cada profissão... Os profissionais de nossas ruas, fábricas, empresas, comércio... Não estão representados no Senado, nem na Câmara de Deputados, nem nas câmaras de vereadores.
Não vamos, não fomos e não iremos, por que esses senhores e senhoras que nos governam fazem parte de um sistema de governo que não foi desenhado para representar – Mas dizem que sim, e chamam a esse tipo de democracia, de Democracia Representativa – pelo próprio modelo: Alguém indica os candidatos, sai pelas ruas apregoando as vantagens de escolhermos tais candidatos, e pela simpatia votamos neles a cada quatro anos... Mas quem os indica?... São os chamados Partidos Políticos, as chamadas “bases”. Lá, nos escritórios, aparentemente á margem do governo, os candidatos são instruídos sobre o que fazer, como fazer, para ganhar as eleições, são maquiados, mudam de roupa, vestem-se de suas novas personalidades: Já não são operários, nem engenheiros, nem médicos, nem nada... Agora são candidatos e acabaram de perder a representatividade porque agora representam os Partidos que os elegeram.
Não vamos, não fomos e não iremos assim, a lugar nenhum nos próximos dois mil anos... Por quê?
Porque já no Senado, nas Câmaras, nos ministérios, a realidade é diferente da realidade das ruas, das praças, dos escritórios das nossas cidades, ou das agremiações de pequenas vilas do interior. Lá, no Senado e nas Câmaras, cada “representante” eleito ou indicado pelos que governam, devem atender antes de mais nada, aos seus Partidos, aquelas instituições que cuidaram tão bem das eleições, que angariaram fundos para pagar as despesas da eleição e que tão bem cuidaram da imagem dos candidatos... Nesses Partidos, gente experiente ligada à mídia, à moda, ao comércio, continua ligada àqueles que contribuíram com tão elevadas somas de dinheiro, “investindo” nos candidatos, e que tanto retorno lhes exigem depois de eleitos... os lobbies de que tanto se fala, e que agem nos corredores do governo, têm agora a mera função de cuidar de seus interesses: os acordos foram feitos antes, muito antes, durante as eleições: verbas, dinheiro, em troca de votos populares... Agora, já nos corredores, cuidam para que esses interesses sejam cumpridos pelos candidatos, e, em dia de votação no Senado, por exemplo, lá estarão vendo seus candidatos votar conforme instruído aos partidos, que por sua vez instruem os candidatos eleitos...
Por isso, poderiam colocar no senado uns robôs bem maquilados, com voz de papagaio, para acenarem com a cabeça mecânica para cima e para baixo se de acordo ou a abanarem para os lados se em desacordo... Não de acordo com o povo, mas sempre de acordo com o partido.
Por isso votam a favor dos aumentos de seus próprios salários, no aumento dos impostos, equipamentos de saúde não funcionam e ficam guardados em depósitos- tal como ambulâncias, aceitam alterações à Constituição através de Medidas Provisórias, aprovam a privatização através de contratos de pai para filho que mantém as nossas estradas em péssimas condições, bairros inteiros sem infra-estruturas, professores mal pagos, bolsa família que só dá pra um... Todos nós sentimos no estômago, na nossa saúde e no nosso bolso, o que é essa tal representatividade dos governos... E não importa qual o partido no governo: candidato eleito faz o que o Partido lhe manda fazer. Partido manda fazer o que os financiadores de campanha lhes dizem para fazer... E assim o dinheiro de nossos impostos se esvai sem que vejamos algo de bom ser feito com ele...
Está na hora de começarmos a gritar pela Democracia Participativa: o cidadão dando seu voto a qualquer hora do dia, com força para eleger/deseleger e aprovar/desaprovar, para que esteja assim devidamente REPRESENTADO nos órgãos de governo... Somente a Democracia participativa pode representar o povo...
(Sobre Democracia Participativa, por favor ver em http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/
http://www.causes.com/causes/632542-junte-se-democracia-participativa/members
Rui Rodrigues
domingo, 11 de setembro de 2011
O que pode fazer com o seu voto numa democracia participativa
O que pode fazer com o seu voto numa democracia participativa
A Democracia Participativa permite exercer a cidadania sem a incômoda participação daqueles deputados, senadores, que são escolhidos pelos Partidos Políticos que lançam as suas candidaturas. A Democracia Participativa precisa deles, e dos Partidos também, mas não com as funções nem com o poder que têm hoje.
Normalmente reclamamos deles por não fazerem o que nos parece tão lógico.
Felizmente as sociedades estão chegando á conclusão que lhes pagam demasiado para tão deficiente serviço. Nossas nações estão sempre com problemas que parecem insolúveis e não por acaso, os problemas são sempre os mesmos como se o mundo não tivesse solução e tudo seja como é pelo simples fato de irremediavelmente ser assim... Como se o mundo tivesse sido feito da forma que nos apresentam, e não houvesse solução.
Para eleger um vereador, deputado, senador ou Prefeito é necessário investir muito dinheiro. Esse dinheiro é “cedido” aos partidos políticos em roca de favores. Ninguém dá nada de forma gratuita a ninguém, exceto para obras de caridade, e não é este o caso certamente. Os Partidos fiam assim dependentes dos que lhes pagam os custos das eleições. Como você, eleitor, não lhes paga nada, eles não o representam.
Com a Democracia participativa, não se recolhem impostos e depois se vê o que se tem gastar e dividir pelos ministérios que são divididos politicamente entre os Partidos... Não! Primeiro se faz o orçamento da União para se saber se os próximos quatro anos serão de aperto financeiro porque o País tem que crescer muito, ou de alívio, porque os cidadãos querem uma “folga” nos impostos para poderem fazer o que tanto desejam e não puderam por causa da carga desses impostos nos anos anteriores.
Com a Democracia participativa, seu voto começa a ser usado em seu próprio município. Com ele pode decidir se uma estrada passará por florestas, por plantações, ou por áreas de menor utilidade. Poderá decidir sobre os custos ou sobre o início das obras de acordo com o momento econômico.
Pode votar o orçamento da União, decidindo que porcentagem das verbas se devem aplicar em educação, por exemplo, ou na agricultura, no saneamento básico, na saúde pública, nos transportes, em centros de pesquisa, na sustentabilidade, nos esportes, nas artes e na cultura...
Pode votar o salário dos membros do governo, e não estes os próprios salários que sempre sobem muito acima da inflação, enquanto o salário mínimo pouco sobe, sendo imediatamente desvalorizado pela inflação.
Pode estabelecer que porcentagem da verba de pesquisa seja destinada à cura do câncer, à pesquisa de armas ou espacial, dentre outras. Pode também votar na porcentagem a aplicar para prevenção de catástrofes, como deslizamentos de terras, inundações, construção de moradias de emergência para estes casos.
No caso de uma contenda bélica, não será o presidente que decidirá sobre declaração de guerra ou o senado... Terão que perguntar ao povo que pode responder em meia hora ou menos... Somente no caso de uma invasão de território o governo pode mobilizar as tropas para a guerra dentro das fronteiras. O mundo ficará melhor assim e menos bélico. A melhor defesa será sempre a defesa e não o ataque. Pode acontecer de a maioria dos cidadãos acharem que não necessitam de exércitos, apenas de força de polícia. Alguns países já chegaram a esse ponto de progresso.
Pode usar o voto para propor algo novo mesmo dentro da Democracia Participativa, como por exemplo, estabelecer comissões de acompanhamento junto ao Ministério da Economia, dos Transportes, do Turismo, da Educação, do Ambiente, e outras instituições, para verificar o que fazem - e como fazem - sem que tenha que ser necessário eleger um palhaço com o slogan “Sabem o que os senadores fazem no congresso? Se me derem o vosso voto e eu for eleito, depois eu conto”, estando nós esperando até hoje que nos conte...
Pode usar o seu voto para deseleger quem achar que não cumpre com as suas funções. Não precisa explicar, nem a retirada desse funcionário irá depender de julgamento nas esferas do governo ou fora dele: seu voto é soberano, e se na medida em que perder os votos, alguém eleito atingir quantidade inferior ao segundo colocado, sai e entra o segundo colocado. Se houver provas de má fé, dolo, ou de algum crime, será depois julgado na corte civil. Não pode haver duas cortes de justiça: Uma para julgar membros do governo e outra para julgar civis ou militares... Existe apenas uma justiça para um povo constituído de cidadãos iguais perante a lei. A não ser assim, comerciantes teriam direito a uma corte especial, e os miseráveis direito a outra corte...
Queremos um mundo justo, tanto quanto nos seja possível.
A Democracia Participativa permite exercer a cidadania sem a incômoda participação daqueles deputados, senadores, que são escolhidos pelos Partidos Políticos que lançam as suas candidaturas. A Democracia Participativa precisa deles, e dos Partidos também, mas não com as funções nem com o poder que têm hoje.
Normalmente reclamamos deles por não fazerem o que nos parece tão lógico.
Felizmente as sociedades estão chegando á conclusão que lhes pagam demasiado para tão deficiente serviço. Nossas nações estão sempre com problemas que parecem insolúveis e não por acaso, os problemas são sempre os mesmos como se o mundo não tivesse solução e tudo seja como é pelo simples fato de irremediavelmente ser assim... Como se o mundo tivesse sido feito da forma que nos apresentam, e não houvesse solução.
Para eleger um vereador, deputado, senador ou Prefeito é necessário investir muito dinheiro. Esse dinheiro é “cedido” aos partidos políticos em roca de favores. Ninguém dá nada de forma gratuita a ninguém, exceto para obras de caridade, e não é este o caso certamente. Os Partidos fiam assim dependentes dos que lhes pagam os custos das eleições. Como você, eleitor, não lhes paga nada, eles não o representam.
Com a Democracia participativa, não se recolhem impostos e depois se vê o que se tem gastar e dividir pelos ministérios que são divididos politicamente entre os Partidos... Não! Primeiro se faz o orçamento da União para se saber se os próximos quatro anos serão de aperto financeiro porque o País tem que crescer muito, ou de alívio, porque os cidadãos querem uma “folga” nos impostos para poderem fazer o que tanto desejam e não puderam por causa da carga desses impostos nos anos anteriores.
Com a Democracia participativa, seu voto começa a ser usado em seu próprio município. Com ele pode decidir se uma estrada passará por florestas, por plantações, ou por áreas de menor utilidade. Poderá decidir sobre os custos ou sobre o início das obras de acordo com o momento econômico.
Pode votar o orçamento da União, decidindo que porcentagem das verbas se devem aplicar em educação, por exemplo, ou na agricultura, no saneamento básico, na saúde pública, nos transportes, em centros de pesquisa, na sustentabilidade, nos esportes, nas artes e na cultura...
Pode votar o salário dos membros do governo, e não estes os próprios salários que sempre sobem muito acima da inflação, enquanto o salário mínimo pouco sobe, sendo imediatamente desvalorizado pela inflação.
Pode estabelecer que porcentagem da verba de pesquisa seja destinada à cura do câncer, à pesquisa de armas ou espacial, dentre outras. Pode também votar na porcentagem a aplicar para prevenção de catástrofes, como deslizamentos de terras, inundações, construção de moradias de emergência para estes casos.
No caso de uma contenda bélica, não será o presidente que decidirá sobre declaração de guerra ou o senado... Terão que perguntar ao povo que pode responder em meia hora ou menos... Somente no caso de uma invasão de território o governo pode mobilizar as tropas para a guerra dentro das fronteiras. O mundo ficará melhor assim e menos bélico. A melhor defesa será sempre a defesa e não o ataque. Pode acontecer de a maioria dos cidadãos acharem que não necessitam de exércitos, apenas de força de polícia. Alguns países já chegaram a esse ponto de progresso.
Pode usar o voto para propor algo novo mesmo dentro da Democracia Participativa, como por exemplo, estabelecer comissões de acompanhamento junto ao Ministério da Economia, dos Transportes, do Turismo, da Educação, do Ambiente, e outras instituições, para verificar o que fazem - e como fazem - sem que tenha que ser necessário eleger um palhaço com o slogan “Sabem o que os senadores fazem no congresso? Se me derem o vosso voto e eu for eleito, depois eu conto”, estando nós esperando até hoje que nos conte...
Pode usar o seu voto para deseleger quem achar que não cumpre com as suas funções. Não precisa explicar, nem a retirada desse funcionário irá depender de julgamento nas esferas do governo ou fora dele: seu voto é soberano, e se na medida em que perder os votos, alguém eleito atingir quantidade inferior ao segundo colocado, sai e entra o segundo colocado. Se houver provas de má fé, dolo, ou de algum crime, será depois julgado na corte civil. Não pode haver duas cortes de justiça: Uma para julgar membros do governo e outra para julgar civis ou militares... Existe apenas uma justiça para um povo constituído de cidadãos iguais perante a lei. A não ser assim, comerciantes teriam direito a uma corte especial, e os miseráveis direito a outra corte...
Queremos um mundo justo, tanto quanto nos seja possível.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
O Brasil, a crise que não houve e hoje há, e as medidas para combatê-la
O Brasil, a crise que não houve e hoje há, e as medidas para combatê-la
Quando em 2008 os bancos se aproveitaram de dois ou três outros que deveriam ter falido, e foram ao governo norte-americano pedir ajuda em geral, criaram a crise de 2008 que realmente não existia... Bastava ter deixado esses três ou quatro bancos falirem e a crise se continha. No futuro, os Bancos aprenderiam a não ser tão ambiciosos.
(Ofereceram créditos em demasia, pagaram altos salários aos executivos, e quando verificaram que tinham passado do crédito ao sem crédito, choraram... Os demais Bancos não ajudaram, para não serem arrastados porque possuíam ações e interesses nesses Bancos. O governo norte-americano saiu em ajuda dos Bancos, entregando-lhes o dinheiro público, a juros baixos, talvez em troca de uma ajuda nas próximas eleições... Obama vai ser re-eleito, e se não for, para os bancos isso não interessa... Outro em seu lugar lhes defenderá os interesses...)
O mundo inteiro, ou melhor, os governos do mundo inteiro entregaram as suas reservas, ou boa parte delas para ajudar os Bancos, esquecendo que o governo dos EUA já os tinha ajudado... Ora, se o presidente dos EUA caíra na conversa, porque não cairiam também os Bancos da Europa e da América latina e Japão, se suas economias eram ainda mais frágeis e mais fáceis de serem convencidos?
E lá se foram as reservas das maiores economias do mundo para evitar a crise. Evitou? Claro que não. A idéia dos galos banqueiros sair correndo pelo terreiro para apavorar todos os governos do planeta não era para evitar a crise, mas para criá-la e mais tarde emprestar esse mesmo dinheiro a esses mesmos governos, o povo tendo que entrar em recessão e pagar juros por anos a fio...
(Muitos governos das principais potências mundiais serão re-eleitos...
Esta crise veio para ficar. A não ser eterna, como pretendem, será muito longa...)
Aqui no Brasil, convenceram nossa presidente Dilma que poderia sem susto afirmar que a crise não se faria sentir com tão grande impacto como nos outros países... Como não, se o capital foi enxugado e está em mãos de banqueiros que não o soltam para a capacidade produtiva? Se esse dinheiro se destina a pagar juros? Há muito que grandes empresas enxugaram o seu capital, retirando-o do meio circulante na expectativa de comprar mais empresas ou ações de empresas... Com a redução do capital de giro, a produção caiu, o desemprego aumentou... O sr. Ministro da economia sabe disso, sempre soube disso...
O Sr. Ministro da economia também sabe que tem que reduzir a taxa de juros para que a produção aumente.... Mas para quê aumentar a produção se o mundo, em recessão, vai comprar menos produtos do Brasil? Mas isto, o Sr, Ministro também sabia há muitos anos, desde quando largou os Bancos da Universidade onde estudou. Quem não sabia era o povo brasileiro...
Agora Dilma tenta subir o salário mínimo que havia impedido antes de ser maior, porque a inflação está chegando a cavalo... De 4% previstos para o ano, deve bater os 7% ou mais, uma inflação de 50% .. Isto é uma catástrofe que nos faz lembrar a inflação dos tempos em que Collor era presidente e antes... Collor já saiu depois de ter enxugado não as verbas públicas, mas as poupanças dos cidadãos, que, revoltados, foram para as ruas...
Afinal... Dilma sabe ou não sabe que tem no governo um ministro que não sabe cuidar do povo com uma visão superior a quatro anos? Um ministro que abriu as portas ao capital exploratório em vez do capital construtivo, que convenceu o senado a doar as verbas públicas para os Bancos, e que agüentou a taxa alta de juros até que não pôde mais, porque a situação é evidente para os milhares de economistas- e nem todos somos economistas – mas que entendemos como se move a economia mundial?
É tempo de revisão, presidente Dilma, de mais um ministério, antes que caia de maduro... já sabemos que quer tirar da miséria mais uns milhões de bons brasileiros que o merecem mais do que ninguém, mas para ser possível, o ministério da Economia precisa rever seus caminhos na mesma intenção e intensidade.
Rui Rodrigues
Quando em 2008 os bancos se aproveitaram de dois ou três outros que deveriam ter falido, e foram ao governo norte-americano pedir ajuda em geral, criaram a crise de 2008 que realmente não existia... Bastava ter deixado esses três ou quatro bancos falirem e a crise se continha. No futuro, os Bancos aprenderiam a não ser tão ambiciosos.
(Ofereceram créditos em demasia, pagaram altos salários aos executivos, e quando verificaram que tinham passado do crédito ao sem crédito, choraram... Os demais Bancos não ajudaram, para não serem arrastados porque possuíam ações e interesses nesses Bancos. O governo norte-americano saiu em ajuda dos Bancos, entregando-lhes o dinheiro público, a juros baixos, talvez em troca de uma ajuda nas próximas eleições... Obama vai ser re-eleito, e se não for, para os bancos isso não interessa... Outro em seu lugar lhes defenderá os interesses...)
O mundo inteiro, ou melhor, os governos do mundo inteiro entregaram as suas reservas, ou boa parte delas para ajudar os Bancos, esquecendo que o governo dos EUA já os tinha ajudado... Ora, se o presidente dos EUA caíra na conversa, porque não cairiam também os Bancos da Europa e da América latina e Japão, se suas economias eram ainda mais frágeis e mais fáceis de serem convencidos?
E lá se foram as reservas das maiores economias do mundo para evitar a crise. Evitou? Claro que não. A idéia dos galos banqueiros sair correndo pelo terreiro para apavorar todos os governos do planeta não era para evitar a crise, mas para criá-la e mais tarde emprestar esse mesmo dinheiro a esses mesmos governos, o povo tendo que entrar em recessão e pagar juros por anos a fio...
(Muitos governos das principais potências mundiais serão re-eleitos...
Esta crise veio para ficar. A não ser eterna, como pretendem, será muito longa...)
Aqui no Brasil, convenceram nossa presidente Dilma que poderia sem susto afirmar que a crise não se faria sentir com tão grande impacto como nos outros países... Como não, se o capital foi enxugado e está em mãos de banqueiros que não o soltam para a capacidade produtiva? Se esse dinheiro se destina a pagar juros? Há muito que grandes empresas enxugaram o seu capital, retirando-o do meio circulante na expectativa de comprar mais empresas ou ações de empresas... Com a redução do capital de giro, a produção caiu, o desemprego aumentou... O sr. Ministro da economia sabe disso, sempre soube disso...
O Sr. Ministro da economia também sabe que tem que reduzir a taxa de juros para que a produção aumente.... Mas para quê aumentar a produção se o mundo, em recessão, vai comprar menos produtos do Brasil? Mas isto, o Sr, Ministro também sabia há muitos anos, desde quando largou os Bancos da Universidade onde estudou. Quem não sabia era o povo brasileiro...
Agora Dilma tenta subir o salário mínimo que havia impedido antes de ser maior, porque a inflação está chegando a cavalo... De 4% previstos para o ano, deve bater os 7% ou mais, uma inflação de 50% .. Isto é uma catástrofe que nos faz lembrar a inflação dos tempos em que Collor era presidente e antes... Collor já saiu depois de ter enxugado não as verbas públicas, mas as poupanças dos cidadãos, que, revoltados, foram para as ruas...
Afinal... Dilma sabe ou não sabe que tem no governo um ministro que não sabe cuidar do povo com uma visão superior a quatro anos? Um ministro que abriu as portas ao capital exploratório em vez do capital construtivo, que convenceu o senado a doar as verbas públicas para os Bancos, e que agüentou a taxa alta de juros até que não pôde mais, porque a situação é evidente para os milhares de economistas- e nem todos somos economistas – mas que entendemos como se move a economia mundial?
É tempo de revisão, presidente Dilma, de mais um ministério, antes que caia de maduro... já sabemos que quer tirar da miséria mais uns milhões de bons brasileiros que o merecem mais do que ninguém, mas para ser possível, o ministério da Economia precisa rever seus caminhos na mesma intenção e intensidade.
Rui Rodrigues
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Nossa Consciência de Humanidade
Não representamos nenhuma ideologia em particular, nem partido político, nem nenhum político, filósofo, religião, empresa ou nação. Nem a nós mesmos nos representamos. Pelo contrário, cada um de todos nós, que compomos a humanidade tem a sua consciência do que deseja de bem para si mesmo e para a humanidade.
Acreditamos que o progresso do mundo, sem guerras nem violência de qualquer natureza, sem partidarismos, sem excessos, pode ser muito maior e proveitoso se os recursos dos impostos puderem ser canalizados para as maiores necessidades da população: Infra-estruturas, Saúde Pública, Trabalho, Transportes, Saúde, Pesquisa, Sustentabilidade, Educação. Tem sido enorme o desperdício de verbas em corrupção e guerras que atrasaram o progresso e a evolução da humanidade.
Não vemos outra forma efetiva de melhorar o mundo senão através da palavra de cada ser humano expressa pelo voto instantâneo, dado ou retirado a qualquer instante, podendo eleger/deseleger e aprovar/desaprovar.
Ideologias, algumas extremistas, e líderes que as seguem mais ou menos estritamente, demonstraram ao longo da história que não conseguiram resolver qualquer problema sério da humanidade.
A palavra deve ser dada à humanidade independente.
A humanidade espera a sua vez de falar e se fazer ouvir.
O mundo tem que provar que pode ser melhor.Acreditamos na humanidade. Não acreditamos que a humanidade seja pecadora desde a nascença. Acreditamos na boa vontade entre homens e mulheres, Não acreditamos que a violência possa resolver algum conflito, porque nada nesta vida é eterno. A história Universal é prova do que dizemos.
Somos a favor:
- Dos Direitos Humanos
- Dos Direitos das Crianças
- Da Democracia Participativa Instantânea via Internet, NET, ou Intranet, até por celular
- da Liberdade de Expressão na NET
- Da Igualdade dos sexos no lar, nas sociedades, nas Instituições, nas Nações, inclusivamente nas Religiosas, tendo as mulheres direito ao sacerdócio. Nenhuma religião deverá ser excludente.
- Da Liberdade religiosa desde que não fira as Leis nem os Princípios humanos.
- Da Igualdade Cidadã de Oportunidades na Vida e perante a Lei.
- Da Sustentabilidade do Planeta
- Da Honestidade de princípios
- Da Paz nas sociedades e entre os povos e nações.
Somos completamente contrários ao domínio dos homens e mulheres por homens ou mulheres, tendo no resultado dos votos dos cidadãos, a validade que lhe dá a força, a moral e a ética às Leis e à Constituição.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Ensaio sobre a moral e a ética No contexto da sociedade e dos governos
Ensaio sobre a moral e a ética
No contexto da sociedade e dos governos
Uma águia voando consegue enxergar um pequeno rato no meio da floresta, que somente outros animais, num raio de escassos vinte metros ao redor do rato conseguem farejar, ver, sentir. O pequeno roedor não tem a visão tão apurada suficiente para enxergar a águia. Sua visão é limitada. É grande a diversidade das espécies da vida e é grande a diversidade entre os indivíduos de cada espécie. Nem todos nos vemos uns aos outros. Também temos, nós humanos, as nossas limitações.
Aparentemente, isto não é filosofia. Esta afirmativa parecesse-se muito mais com biologia do que com a moral e a ética, mas se acionarmos a nossa percepção para o comportamento da águia e do rato, e de suas características, poderemos então encontrar algumas semelhanças no nosso comportamento humano. Para que isto tenha validade, é necessário algo mais: esquecermos por momentos que águia e rato não sejam apenas animais, mas que sejam “um pouco humanos”, que tenham sentimentos e isto parece que eles têm. No entanto, não pretendo neste ensaio falar da águia nem do roedor, mas de nós, humanos, quando agimos como águias e como roedores.
Diz a Wikipédia sobre moral e ética:
Ética é o nome geralmente dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra "ética" é derivada do grego ἠθικός, e significa aquilo que pertence ao ἦθος, ao caráter.Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano.
E mais:
Na filosofia clássica, a ética não se resumia à moral (entendida como "costume", ou "hábito", do latim mos, mores), mas buscava a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver e conviver, isto é, a busca do melhor estilo de vida, tanto na vida privada quanto em público. A ética incluía a maioria dos campos de conhecimento que não eram abrangidos na física, metafísica, estética, na lógica, na dialética e nem na retórica. Assim, a ética abrangia os campos que atualmente são denominados antropologia, psicologia,sociologia, economia, pedagogia, às vezes política, e até mesmo educação física e dietética, em suma, campos direta ou indiretamente ligados ao que influi na maneira de viver ou estilo de vida. Um exemplo desta visão clássica da ética pode ser encontrado na obra Ética, de Espinoza.
Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se seguiu à revolução industrial, a maioria dos campos que eram objeto de estudo da filosofia, particularmente da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Assim, é comum que atualmente a ética seja definida como "a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas" e busca explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando se julga do ponto de vista do Bem e do Mal.
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa freqüência a lei tenha como base princípios da ética. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética.
Não foi possível perceber, ao longo da história, onde se podem encontrar os seguintes “elos” perdidos ao longo da história do comportamento humano:
1) Quando começamos a perder o nosso lado animal e pela primeira vez percebemos que para viver em sociedade necessitamos de nos comportar de forma ética, com moral e de acordo com leis pré-estabelecidas a que todos somos obrigados a aderir, porque fazem parte de nosso entendimento moral e ético;
2) Quando, apesar de já sermos portadores de consciência ética e de conceitos de moral e conhecermos as leis, começamos a seguir e até mesmo a idolatrar líderes que, sabemos hoje, não agiam dentro dos padrões da moral, não tinham ética e ditavam leis que os isentavam da moral e da ética, e, portanto, das próprias leis que apoiavam ou criavam.
E,
3) Porque razões continuamos, apesar de todos os estudos e da disseminação da cultura e do ensino, a aceitar líderes que por interesses próprios e escusos, ou por convicção, continuam a permitir ou a agir sem moral, sem ética, fora das leis, no todo ou em parte.
Cabe aqui um á parte, além de outros que também caberiam. O item 3 acima, não é um elo perdido, mas acredito que, descobertas as razões nele implícitas, possa constituir um “elo” encontrado para o futuro, marcando o momento em que as sociedades possam ter líderes, estes sim, líderes, que ajam com moral, com ética, obrigando-se ás leis que criaram e fazem impor.
Visto á luz da moral, da ética e das leis, não há aparente explicação para seguirmos os líderes que temos e que agem através de sistemas de governo que não pedem explicações aos cidadãos. Muito pelo contraio, mesmo nas democracias mais plenas, sólidas, consolidadas, governos instauram as leis, aplicam-nas, agem á revelia e criam uma em particular que os destina a ficar à margem da lei: a imunidade política que foi criada preferencialmente para embaixadores em trânsito, como se fosse um salvo-conduto. Precisamos de algo mais que o explique.A política e o comportamento das multidões dão-nos uma razoável contribuição.
Sobre a política, diz-nos a Wikipédia:
“Política denomina arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa). Nos regimes democráticos,a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.
A palavra tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas "polis", nome do qual se derivaram palavras como "politiké" (política em geral) e "politikós" (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que se estenderam ao latim "politicus" e chegaram às línguas européias modernas através do francês "politique" que, em 1265 já era definida nesse idioma como "ciência do governo dos Estados".
O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana.
O livro de Platão traduzido como "A República" é, no original, intitulado "Πολιτεία" (Politeía). (Segundo Aristóteles, o homem é um animal político).
Vejamos, por exemplo, qual a política necessária para governar uma Pólis muito antes de Platão, cidades como Çatal Uyuk na Turquia, ou Ur na Caldéia, dentre outras. Nenhuma destas duas cidades tinha mais de 10.000 habitantes, mas podemos considerar que tivessem até mesmo 100.000 habitantes, porque a forma de governar e a dificuldade é exatamente a mesma conforme se organizaram.
Naqueles tempos, os seres humanos iniciavam sua convivência social, ao fazerem parte de grupos considerados enormes para os padrões da época e de outros povos que ainda vivam em tribos, na coleta de produtos da natureza e da caça. Tanto em Çatal Uyuk quanto em Ur, a agricultura já havia sido descoberta. Grupos de coleta e caça não podiam ter mais de 60 indivíduos porque chegados num local de coleta ou caça, imediatamente esgotavam as provisões, obrigando-se a deslocamentos sem descanso. Com a descoberta da agricultura e do confinamento de animais, a comida disponível permitiu o crescimento de comunidades maiores. Naqueles tempos a força se impunha à razão. Os seres humanos saíam da animalidade para a condição de seres que raciocinavam e olhavam o mundo ao seu redor, começando a atendê-lo e como o podiam aproveitar.
Considerando 10.000 pessoas, 5.000 mil eram mulheres. Pela força, as mulheres se submeteram aos homens. Não vem ao caso se a religiosidade que então despontava, se baseou em instruções divinas para mandar calar as mulheres, apedrejá-las por traição sexual mesmo sendo obrigadas á força por homens que não seu marido. O que importa é que os governos adotaram essa premissa como lei. Cada marido governava sua mulher. O estado somente tinha que governar, então, 5.000 homens...
Dos homens, cerca de um terço era menor de idade e governado pelos pais. A outra terça parte era idosa, com mais de 30 anos, sendo que a idade esperada de vida era de apenas 45 anos. Poucos viviam mais do que isso. Para governar, então, nada mais do que a terça parte de 5.000, ou seja, 1.700 homens.
Para uma cidade de 10.000 habitantes, com cerca de 1.700 homens em condições de se sublevarem ou sublevarem a ordem, 1.000 homens no exército seriam suficientes e até demasiado, mas bem armados, esses homens poderiam sair para fora da cidade, percorrer as aldeias e fazer escravos para cultivar as terras. Foi o que fizeram. Os outros 700 que sobravam eram mais do que suficientes para administrar a cidade-estado, promover a religião, instruir, fabricar utensílios, promover o comércio. Como os 1.000 homens eram comandados pelos generais e postos de menor graduação, o governo de um rei e ministros era suficiente. Ou seja, uma centena de pessoas tomava conta de 10.000 habitantes...
Era fácil governar, ainda mais que os reis se diziam, com a ajuda dos sacerdotes, que eram divinos, descendentes dos deuses. Freud nem teria a mínima necessidade de estudar o comportamento das multidões. Viviam todos em perfeita ordem. O rei e seu séquito podiam passear livremente pelas ruas, ostentar ouro, cobrir a cúpula dos palácios com ouro, colocar guardas armados com espadas flamejantes de guarda nas portas da cidade. Pareceria a algum visitante menos aviado, que dentro da cidade havia um paraíso, um éden, e que esse paraíso era guardado por anjos com espadas de fogo, assim lhes incidissem os raios solares durante o dia, ou os raios de luz de fogueiras á noite. As únicas prisões que podemos imaginar seriam destinadas a escravos fugidos e recuperados, e possivelmente para bêbados. Lá se cultivava a vinha.
As cidades cresceram desde as primitivas cidades-estado de Ur e Çatal Uyuk. Cresceram muito. Há cerca de 2.400 anos atrás, havia cidades como Atenas e Esparta na Grécia, Mênfis no Egito, Roma na atual Itália. Vamos concentrar-nos em Atenas , que possuía um exército de hoplitas de 40.000 (eram cidadãos) que com suas famílias completariam cerca de 140.000 atenienses. Além disso, cerca de 400.000 escravos. Por esta época, o mundo crescera muito, cidades cresciam próximas umas das outras, e o temor de serem conquistadas era muito grande. Não havia naquela época a convenção de Genebra , e durante as guerras, as mulheres eram estupradas, os jovens e os homens passados a fio de espada, crianças tomadas como escravas. Roma e Mênfis eram cidades de mais ou menos do mesmo tamanho e da mesma complexidade, geridas com maior ou menor dificuldade.
Havia revoluções, mas geralmente a população seguia líderes que nada mudavam de substancial na vida do povo. As revoluções faziam-se em torno de uma figura que detinha parte do exército ou todo ele a seu favor. O motivo primário das revoluções era sempre a vontade de tomar o poder, a ambição, a vaidade, a vingança. Não se tem notícia de revoluções a favor do povo, a não ser quando Spartacus, o gladiador, se revoltou contra Roma. Revoltas populares, e mesmo assim incitadas, aconteceram na história a partir da revolução francesa. Os “sem culotes” (trabalhadores franceses) incitados por Marat e Robespierre dentre outros, invadiram e destruíram um dos símbolos da Realeza, a Bastilha , uma prisão. O recado popular foi significativo: Um rei que não dava pão nem trabalho e que apenas explorava, vivendo em luxos, não tinha moral para prender ninguém.
A democracia, tanto quanto se tem notícia, foi usada como forma de governo na Grécia antiga, por muito pouco tempo. Nada se fazia sem que, em Praça Pública se fizesse votação popular, pelo gesto simples de levantar a mão quem estava de acordo. Havia mobilização popular. Os cidadãos participavam altivamente. Pela mesma época surgia em Roma o conceito de República. Ambos os tipos tinham a figura do Chefe da Nação, do Senado que eram eleitos entre os cidadãos. Cidadão não era qualquer um. Eram apenas considerados como cidadãos os autóctones, descendentes das classes consideradas como tradicionais. Como República e Democracia eram muito semelhantes, fez-se certa confusão e se tomou a república como uma democracia. Afinal ambas cuidavam- ou deveriam cuidar- da “Res pública”, isto é, da coisa pública, dos cidadãos, e aparentemente eram similares, porque a boa e velha democracia do voto popular cidadão, ficara lá atrás na história, num mundo que era eminentemente analfabeto, sem conhecimento da história, e o que era pior, com a história encomendada por governos.
Com governos republicanos, em que mulheres não votavam, nem crianças, nem idosos, com voto obrigatório sob pena de deixar de ser cidadão, as nações atravessaram os séculos habituadas a que “alguém” cuidava delas. Afinal, era para isso que pagavam impostos. Os impostos serviam para que alguém, no caso o governo, preocupado com a população, cuidasse do abastecimento de água, dos esgotos, da saúde pública, dos exércitos e da polícia. Pelo menos, o governo servia para isso. Desculpava-se muito do luxo que os governos tomavam como hábito, em troca do benefício de ser cuidado.
Na verdade, o que aconteceu na transição do reinado para a república deveu-se principalmente ao crescimento populacional. Na medida em que as populações cresciam, cada vez mais havia comerciantes, industriais, banqueiros, generais, sacerdotes, e outros com influência junto ao povo, a quem as populações pediam favores para que cuidassem de seus interesses. Era necessário atender a todos os influentes, e estes, cada vez em maior número, com uma população crescente, ganharam o direito de dividir o poder. A República chegara a Roma para ampliar o poder e chegara para ficar.
No entanto, na medida em que as populações foram crescendo exponencialmente, cada vez mais cidadãos com influência achavam necessário defender seus interesses. Eram e são os donos de Bancos, Industriais, forças armadas. Organizaram-se sob a forma de Lobbies para agir sobre aqueles que participam do governo. O povo nunca teve lobbies agindo sobre os governos. O povo nunca se organizou, realmente, para defender os seus interesses assim como aqueles cidadãos se organizaram (talvez a solução para os dias de hoje seja a reunião de cidadãos em “blocos” de forma a que possam também encher os corredores dos palácios de governo para chamar a atenção para as suas necessidades específicas, ou, quem sabe, melhorar a democracia e o que se entende e subentende, para que se adote o voto direto como no tempo de Atenas, do filósofo Sócrates).
Foi apenas na metade do século XIX que se começou a diferenciar entre governo republicano e governo democrata, mas vê-se pelo governo dos Estados Unidos da América do Norte que não há diferença entre os dois, porque apenas com dois grandes partidos, o democrata e o republicano, os EUA continuam governáveis como exemplo da maior democracia do mundo.
Essa diferença, entre democracia e república faz toda a diferença para as populações e para a cidadania.
Em ambos os governos, república e democracia, não raro as populações vão para as ruas, para pedirem que os governos olhem para as suas necessidades e as atendam. Foi assim contra a guerra do Vietnam nos EUA, a favor do Impeachment de Collor no Brasil, movimentando grandes multidões. A esperança era a de mostrar aos governos que a quantidade de pessoas nas ruas, era uma voz forte, de nível nacional, representativo, como se, quem tivesse ficado em casa, o devesse qualquer fator que não o de não participar do movimento.
Porque razão os manifestantes não foram até os palácios de governo, porque não juntaram assinaturas para agir nos corredores como fazem as empresas e instituições que têm lobbies?
Porque, creio eu, seria uma “afronta” sujeita a repressão e o povo queria demonstrar, polidamente, que queria fazer a demonstração em paz, de forma democrática... Mas essa não é a forma correta de se fazer ouvir, porque o governo deve representar o povo, e não pode exigir deste que se humilhe a pedir, por favor, que o governo o atenda, uma atitude claramente democratofóbica, como se os cidadãos fossem coisa reles, pedintes carentes, massas escravas que devem seguir o que os senados determinam.
Há uma distância ainda muito grande entre o governo e os cidadãos. São duas sociedades com interesses diferentes dentro da mesma sociedade...
Doze mil anos de história de povo pedindo ao governo que olhe por ele, é uma tradição inculcada, empedernida como montanha cravada numa planície e que é necessário esclarecer e reparar.
Finalmente chegamos ao século XXI, com novos instrumentos de comunicação agora instantâneos e portáteis, como é o caso dos celulares, computadores e Internet, em que já não necessitamos levantar o braço em praça pública para votar o que o povo deseja.
O povo não sabe que existe a velha democracia do braço levantado e que ela hoje é possível. O povo não sabe o que pode ou não pode fazer, porque as leis não lhe são ensinadas desde a escola primária, como os direitos da criança e os direitos humanos. E, no entanto, apesar de o Estado não distribuir a Constituição de forma gratuita a todos os cidadãos, para que a conheçam não se pode alegar desconhecimento nem da Lei nem da Constituição... Constituição essa que é constantemente alterada por Medidas Provisórias, as chamadas MPs que a rasgam em tiras soltas de letras perdidas no vento.
Os governos fazem o que querem sem consultar o povo, podendo fazê-lo através dos meios disponíveis no mundo mais do que moderno de hoje.
È preciso que se leve o conhecimento às escolas, às universidades, aos juízes, aos generais, às instituições, mesmo que estas não ensinem... È preciso que os cidadãos saibam que os governos devem atender as sociedades e não serem atendidos por estas, a não ser na aplicação da lei que essas sociedades mesmas aprovaram. Que nos dias de hoje já não devem declarar guerras sem consultar o povo para saber se podem ou não...
E se encontrarem moral, ética, leis credíveis nos governos de hoje, por favor, leitores, indiquem onde, porque eu não encontrei, e é disso que necessitamos nos dias de hoje, a bem da ética, da moral, da lei, da cidadania.
Rui Rodrigues
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