quinta-feira, 19 de julho de 2012

Cidadão pode ajudar a fiscalizar a campanha eleitoral


Passado o período de fiscalização das candidaturas, com o fim do prazo para pedido de impugnação, que terminou nessa quarta-feira (18), os tribunais regionais eleitorais (TREs) e os ministérios públicos estaduais agora vão direcionar o trabalho dos fiscais para as propagandas dos candidatos e partidos. Desde 6 de julho, elas estão autorizadas conforme a legislação eleitoral.
O promotor Rodrigo Molinaro, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias Eleitorais (Caop) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPE-RJ) lembra que, pela Lei nº 9.504, que regula as eleições, é proibido fazer propaganda em vias e bens públicos, bem como em locais de uso público, como lanchonetes e cinemas.
“É absolutamente vedado o uso dos chamados galhardetes, como havia antigamente, até há alguns anos, em postes, árvores, sinalização de trânsito. O que se admite é a propaganda em bens privados. Então o eleitor pode voluntariamente concordar que se coloque na frente da casa dele um cartaz com a indicação do seu candidato a prefeito e a vereador predileto, desde que não seja pago, o eleitor não pode cobrar por isso”, disse.
Também são permitidos a panfletagem e comícios em horários determinados. Está proibida a distribuição de brindes ou objetos que representem vantagem ao eleitor, além da propaganda política em outdoor. Os cartazes e banners não podem ultrapassar 4 metros quadrados.
De acordo com Molinaro, o objetivo da fiscalização é evitar o abuso do poder político e econômico. Ele cita como exemplo comum o funcionamento de centros sociais, abertos por candidatos para oferecer serviços diversos, como médico, dentista e até corte de cabelo.
“O que a gente verifica é que esses centros sociais funcionam como instrumentos de obtenção de dividendos político eleitorais. Porque os políticos instalam esses centros, normalmente em localidades mais carentes, e a comunidade passa a ver naquele político um grande bem-feitor, o político se coloca como aquele que substitui o Estado. E a pergunta que se faz é: até que ponto a população não fica refém de um ciclo vicioso, com esse tipo de assistencialismo?”.
Qualquer cidadão pode denunciar a propaganda eleitoral irregular ou o abuso de poder econômico. A Ouvidoria do MPE-RJ recebe denúncias anônimas pelo telefone 127.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio também oferece o Disque-Denúncia, que funciona desde o ano passado, ainda no período pré-eleitoral. De acordo com o juiz responsável pela fiscalização eleitoral no município do Rio, Luiz Fernando Andrade Pinto, o cidadão tem participado bastante, mandando denúncias principalmente pela internet.
“As pessoas ligam, anonimamente ou não, temos uma central que recebe essas denúncias, as mais variadas, e repassa para o setor de fiscalização. É feita uma triagem e essas equipes vão até os locais verificar a procedência ou não das denúncias. O material é recolhido e levado ao juiz para apreciar se é de fato irregular.”
Desde maio, o Clique-Denúncia foi ampliado. O serviço está disponível pelo site www.ter-rj.gov.br.

domingo, 8 de julho de 2012

O Voto Consciente e sua Importância - Dag Vulpi


Votar é um Ato de cidadania!
É muito comum ouvirmos que todos os políticos são iguais e que o voto é apenas uma obrigação. Muitas pessoas não conhecem o poder do voto e o significado que a política tem em suas vidas.

Quando se vai a uma urna eletrônica escolher  os candidatos que serão os representantes nos próximos quatro anos, a responsabilidade aumenta e então é hora de se empenhar para que a escolha seja boa não apenas para você, mas para uma coletividade.

A importância do voto

Numa democracia, como ocorre no Brasil, as eleições são de fundamental importância, além de representar um ato de cidadania. Possibilitam a escolha de representantes e governantes que fazem e executam leis que interferem diretamente em nossas vidas. Escolher um péssimo governante pode representar uma queda na qualidade de vida. Sem contar que são os políticos os gerenciadores dos impostos que nós pagamos. Desta forma, precisamos dar mais valor a política e acompanharmos com atenção e critério tudo que ocorre em nossa cidade, estado e país.

Dicas para votar conscientemente

Muitas pessoas não querem pesquisar sobre os candidatos que vão votar, por isso, vão na primeira sugestão que aparece como aquele que mora no bairro, ou que está na placa que está na rua, ou no mais famoso, sem se importar com o histórico de vida dele. Têm ainda os eleitores que se apegam ao fato do candidato arranjar um bom emprego para ele, mas isto não é certo e não agira pensando na coletividade.

A primeira dica para um voto consciente é sempre estar por dentro do passado, dos valores e do caráter do candidato. Temos que aceitar a idéia de que os políticos não são todos iguais. Existem políticos corruptos e incompetentes, porém muitos são dedicados. Mas como identificar um bom político?
Caso o nome dele conste em escândalos de corrupção, cassação, renúncia e outras mazelas políticas, é melhor nem arriscar para dar seu voto.

Mas têm os que possuem uma Ficha Limpa, porém, mesmo assim não é uma boa opção porque não possuem projetos e idéias. Dar o voto para eles também não é uma demonstração de votar conscientemente!

O voto deve ser valorizado e ocorrer de forma consciente. Devemos votar em políticos com um passado limpo e com propostas voltadas para a melhoria de vida da coletividade.

O Brasil precisa de eleitores maduros, que queiram colaborar com o progresso do país e para isso é preciso pesquisar, conhecer e exercer o papel de eleitor.

Durante a campanha eleitoral

Nesta época é difícil tomar uma decisão, pois os programas eleitorais nas emissoras de rádio e tv parecem ser todos iguais. Procure entender os projetos e idéias do candidato que você pretende votar. Será que há recursos disponíveis para que ele execute aquele projeto, caso chegue ao poder? Nos mandatos anteriores ele cumpriu o que prometeu? O partido político que ele pertence merece seu voto? Estes questionamentos ajudam muito na hora de escolher seu candidato. 

Conclusão

Como vimos, votar conscientemente dá um pouco de trabalho, porém os resultados são positivos. O voto, numa democracia, é uma conquista do povo e deve ser usado com critério e responsabilidade. Votar em qualquer um pode ter conseqüências negativas sérias no futuro, sendo que depois é tarde para o arrependimento. Por isso nessas eleições, faça valer o seu direito de cidadania, faça valer o seu voto, 

VOTE CONSCIENTE! ESCOLHA O SEU CANDIDATO PELAS PROPOSTAS E NÃO POR ELE TER FEITO UM FAVOR PARA VOCÊ.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

ANADELSO PARA VEREADOR 19444


Caros Amigos,

É com enorme satisfação que lhes informo que sou candidato a VEREADOR do município de VILA VELHA.

Diante dessas rajadas de absurdos que nos deixam cada vez mais incrédulos, e sendo estrategicamente nocauteados por este sentimento de impotência que me coloco como OPÇÃO para reverter esse quadro.

Preciso do seu VOTO para corrigir essa carência de políticos que defendam os bons princípios e a ética como um todo.

Nossa PROPOSTA é a de elaborar projetos Legislativos abrangentes, e que vão de encontro ao anseio de toda comunidade. Chega de propostas simplórias e individualistas, cheias de segundas intenções, e que não tem como objetivos beneficiar seus representados.

Precisamos ACERTAR nosso próximo voto, o nosso, e o FUTURO de muitos que queremos bem dependerá da nossa ESCOLHA. Isso não será difícil, basta exercermos a nossa CIDADANIA com responsabilidade, e para isso precisaremos rever nossos antigos critérios de avaliação, vamos observar com carinho os nomes que teremos à nossa disposição, vamos escolher aqueles que possam realmente provocar as MUDANÇAS que precisamos, sem compromissos partidários mesquinhos, sem apadrinhamentos, e principalmente, JAMAIS VENDA SEU VOTO.

Vamos acreditar num FUTURO MELHOR PARA TODOS.

REUNIÕES E ENCONTROS COM OS AMIGOS











sexta-feira, 25 de novembro de 2011

"Eu tenho um sonho": o discurso de Martin Luther King

Um dos mais importantes textos na luta pela igualdade racial nos Estados Unidos
Martin Luther King foi um dos maiores oradores políticos do século XX. Seu estilo adaptou a oratória sacra das Igrejas negras do Sul dos EUA, com suas canções e diálogos entre o pastor e os fiéis, à luta pela igualdade racial, na década de 60, até que foi assassinado em 1968.
o famoso discurso de Martin Luther
King foi feito por ocasião da Marcha
sobre Washington, em 28 de agosto de 1963

O ponto mais elevado desta oratória foi o discurso pronunciado por ocasião da Marcha sobre Washington, em 28 de agosto de 1963, quando estava em discussão no Congresso Americano, a Lei dos Direitos Civis, encaminhada por Kennedy. Defensor da estratégia da “não violência” ao estilo Ghandi, Martin Luther King, provocou e enfrentou a reação do racismo nas ruas das cidades do sul dos EUA.
Suas passeatas, contrariando determinações policiais que as proibiam e a ocupação de lugares reservados para brancos nos ônibus e lancherias, provocavam a reação policial com mangueiras de bombeiros, cães e cassetetes, e, no final a prisão, para dramatizar, perante a opinião pública, o absurdo moral da segregação racial.
Na sua “Carta de uma prisão em Birmingham”, dirigida aos pastores brancos do estado de Alabama, ele dizia:
“Meus amigos. Eu devo dizer a vocês que nós não tivemos nenhuma conquista nos direitos civis sem o exercício de uma pressão legal, não violenta e determinada. (...) Nós sabemos, por dolorosa experiência, que a liberdade nunca é concedida voluntariamente pelo opressor; ela deve ser reclamada pelos oprimidos.(...) Por muitos anos eu tenho ouvido a palavra “esperem”. Ela soa aos ouvidos de um negro com uma cortante familiaridade. Este “esperem” sempre significou “nunca”
Nos seus sermões dialogados com os fiéis, Martin Luther King, insistia em que o momento era chegado. Que não havia mais nenhuma justificativa para o “Esperem”. Ele dizia :
“O que vocês querem?” . Os fiéis respondiam em uníssono: “Liberdade”. Ao que ele perguntava: “Eu quero ouvir de novo. Não ouvi bem. O que vocês querem?” “Liberdade”, gritavam os fiéis, ainda mais alto. “Para quando vocês querem a liberdade?”. O que levava os fiéis ao delírio, gritando sem parar: “Liberdade agora. Liberdade agora. Liberdade agora.”
Na Marcha sobre Washington, quando uma multidão de quase 1 milhão de pessoas reuniu-se em frente ao monumento a Lincoln, ele pronunciou o seu famoso discurso “Eu tenho um sonho”:

O discurso

“Ainda que enfrentemos as dificuldades de hoje e de amanhã, Eu tenho um sonho. Eu ainda tenho um sonho. Eu tenho um sonho no qual vejo que um dia esta nação se levantará e cumprirá o seu princípio mais importante: ‘Nós acreditamos que estas verdades são auto-evidentes: que os homens são criados iguais pelo seu Criador’ Eu tenho um sonho. Um sonho de que em algum dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos dos escravos e os filhos dos donos de escravos estarão sentados na mesa em que todos são irmãos.
Eu tenho um sonho de que mesmo o estado de Mississipi, um estado intumescido com o calor da injustiça, será transformado num oásis de liberdade.
Eu tenho um sonho de que um dia, `cada vale será exaltado, cada colina e montanha será rebaixada, os lugares ásperos serão tornados suaves, os lugares de maldade serão tornados honestos, e a Glória do Senhor se revelará, e toda a carne a verá ao mesmo tempo’.
Esta é a nossa esperança. É com esta fé que retorno ao Sul. Com esta fé, estamos dispostos a trabalhar juntos, a rezar juntos, a lutar juntos, a ir para a cadeia juntos, e a nos levantarmos juntos em defesa da liberdade, sabendo que seremos livres algum dia.
Martin Luther King provocou e
enfrentou a reação do racismo nas
ruas das cidades do sul dos EUA.
Este será o dia em que os filhos de Deus cantarão juntos : Meu país, doce terra de liberdade, para ti eu canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, de qualquer lado da montanha, que toque o sino da liberdade. Se a América quiser ser uma grande nação, então isto terá que se tornar verdadeiro. Que toque então o sino da liberdade. Quando permitirmos que toque o sino da liberdade, quando deixarmos que toque em qualquer cidadezinha de qualquer Estado, estaremos preparados para nos erguer neste dia, e todos os filhos de Deus, brancos ou negros, judeus ou gentios, protestantes ou católicos, daremos as mãos para cantar uma antiga canção negra religiosa: `Enfim livres. Enfim livres. Graças ao Senhor todopoderoso. Estamos livres enfim”
A multidão, ao fim do discurso, como que hipnotizada pela oratória pedia : “Sonha mais. Continua sonhando”, e, antes de se dispersar se pôs a cantar:
“Nós vamos vencer (We shall overcome) Nós vamos vencer. Nós vamos vencer algum dia. No fundo do meu coração eu acredito que nós vamos vencer um dia.”
Difícil reproduzir o mesmo impacto da palavra falada com o texto escrito, ainda mais quando traduzido. A força deste discurso foi extraordinária, sua autenticidade comovedora, e a sua mensagem de união de todos pela liberdade tornou-se um símbolo.
Em 1968, a voz de Martin Luther King seria calada pela bala de um assassino, mas o seu exemplo e a sua lição pavimentaram o solo político americano, para as grandes conquistas dos direitos civis para os cidadãos negros naquele país. 
 

O Inverno do nosso descontentamento...

Agora que o Sol começa a convidar a uns belos passeios de bicicleta, fomos durante a passada semana dar um passeio pela zona ribeirinha entre os ameirinhos e a ponte da varela.

Seguramente fruto do rigoroso inverno que tivemos, já alguém notou o estado em que se encontra a estrada que vai do cais da béstida até á ponte da varela? Em determinadas zonas o pavimento abateu e ameaça ainda abater mais tornado a circulação um perigo eminente tanto para quem circula de automóvel, de bicicleta ou mesmo a pé.

Sendo este troço parte integrante do circuito da NaturRia... dispensam-se futuros comentários...

sábado, 29 de outubro de 2011

O Vulto

O vulto

O vulto jazia na pequena sala em frente a um computador da moderna tecnologia, controlável por seu pensamento através de pequeno dispositivo disfarçado entre os seus cabelos longos e desarrumados: um aro de cabelo eletrônico que em nada lhe prejudicava a silhueta. Do outro lado da sala, uma bicicleta ergométrica lhe permitia o controle do peso. A parede da sala era o seu monitor. Por ele controlava todos os equipamentos do lar, desde o forno de micro ondas à pequena máquina de lavar a seco, regular a temperatura do chuveiro elétrico. Sentiu um desejo incontrolável de ver neve, esquiar, sentir frio. Não buscava explicações em seus desejos. Para ele, os desejos não necessitavam de explicação. Eram vontades que podiam ou não podiam ser concretizados. Se podiam ser concretizados, ficava feliz. Caso contrário, mudava sua vontade para desejos que pudesse concretizar e continuava feliz do mesmo jeito.

Ligou o ar condicionado para o frio máximo, vestiu um abrigo quente, ligou a parede-monitor num programa de esqui na neve nos Alpes suíços, e postou-se adequadamente no meio da sala. Logo estava esquiando a toda a velocidade, seu corpo acompanhando a velocidade vertiginosa na descida da montanha... Sabia que há muito tempo atrás isso era possível fazer ao vivo, mas os turistas deixavam muito lixo desde o caminho de acesso até a sua saída do parque, e os hotéis não tinham nada de politicamente correto em meio a essa natureza, e acabaram fechando as portas. A natureza deveria ser conservada virgem... Achava em particular que era isso que se buscava na humanidade: a virgindade do planeta, a natureza pura, sem nada que a pudesse poluir. Buscavam o mesmo na consciência humana, O planeta todo clamava por pureza de sentimentos.

O vulto sentiu-se cansado. Fazia meia hora que descia uma montanha que nunca tinha fim. Faltava naquele programa o “chegar ao fim”, tirar os esquis, colocá-los dentro de um carro, subir a montanha e tomar alguma coisa no bar do hotel. Desligou o programa, despiu os agasalhos, condicionou o ar para temperatura ambiente e foi até a geladeira. Apanhou umas pedras de gelo, e colocou num copo. No liquidificador bateu um tomate com sal, pimenta do reino, hortelã e coentro. Despejou tudo no copo com o gelo e tomou o seu “Bloody Mary” sem álcool. Tomar álcool era politicamente incorreto. O vulto não fazia isso. Nem fumava qualquer tipo de qualquer coisa fumável. Não tomava drogas em absoluto. Sexo era coisa muito rara. Por vezes confundiam sua conversa com assédio sexual, e sentia-se desconfortável. Outras vezes constatava que não se tratava de uma mulher, como desejava, mas não podia reclamar, sem ser confundido com homofobico. Não tinha muitos prazeres diferenciados na vida. Limitara-se a viver dentro de uma estreita faixa de prazeres que podia alcançar, e qualquer outro que tivesse, por inesperado, era contabilizado como lucro do mais alto valor.

Acabou de tomar o drinque sem álcool, pousou o copo na pia da mini cozinha e apanhou uma folha de papel que passou cuidadosamente pelo copo até ficar limpo. Jogou o papel numa cesta de lixo, e apanhou outro com um forte cheiro de álcool. Repetiu a mesma operação. Agora o copo estava limpo e não gastara uma só gota de água, exceto pela que fazia parte do álcool adulterado que impregnara o segundo papel. Tinha consciência que adulterar o álcool não era politicamente correto, mas o governo estava trabalhando nisso com afinco. Um dia seria possível. Pensou no que poderia fazer para se distrair de uma forma diferente. Sentiu necessidade de sair. Precisava de companhia que não fosse virtual. Até recentemente fizera parte de grupos virtuais na NET, onde todos eram amigos. No início, quase todos expuseram as suas fotos, as fotos da família, dos amigos da vida real, e depois se arrependeram porque dos amigos virtuais, uns o eram, outros não. Com tantas perseguições que ocorreram já não se encontravam perfis virtuais que correspondessem a perfis reais. Aquela virgindade e pureza tão procuradas como modelos para a natureza do planeta e do espírito humano perderam muito com a realidade. Os grupos se transformaram, a NET se transformou. O mundo todo tinha mudado. Já não era possível usar um tipo de letra para postar. Era um modelo único, que despersonalizava, como se todos “falassem” impessoalmente. A NET agora servia apenas para consultas, comércio, e comunicação entre familiares e amigos no mundo real. O mundo ficara melhor nos conceitos, mas na pratica estava ainda pior. Era o que o vulto apreciava quando assistia a filmes antigos, reportagens antigas, descrição dos hábitos de um viver que ficara muito para trás, e que nem chegara a conhecer. Precisava sair e sorver um ar diferente.

Quando abriu a porta de acesso, junto ao muro do condomínio, relutou em prosseguir. A rua estava impossível de ser freqüentada. Estava quase vazia porque eram poucos os automóveis que eram permitidos circular por usarem combustíveis fósseis e poluentes. O uso de hidrogênio como combustível tinha sido banido por obrigar á decomposição da água, cada vez mais cara. O petróleo somente era usado por forças armadas por sua potência, que dava aos motores grande torque e velocidade. O álcool era impossível de usar por ser perigoso para a saúde humana: muitos o tomavam ou cheiravam e a falta de alimentos no planeta não podia desprezar mandiocas, batatas, milho, e outros alimentos desperdiçados para produzir álcool. Nada disto era politicamente correto, e as fábricas de automóveis foram á falência. Somente transportes públicos movidos a energia elétrica de proveniência eólica, da força das marés, de hidroelétricas eram permitidos. O mundo demorara quase duzentos anos para perceber isso, e alimentara muitas guerras pela posse de combustíveis fosseis caros e poluentes. Mas mesmo com as ruas quase vazias, o território da cidade era muito diferente daquele de que dispunha em sua casa com toda a privacidade. A rua não era lugar seguro. Ir a centros de convivência cultural, para que os seres humanos pudessem desfrutar do toque, da troca de informações reais, era quase o mesmo que o da NET e em pouco tempo deveria extinguir-se: A pessoas precisavam de muito tempo para se conhecer e adquirir aquela confiança que lhes permitia o abrir do espírito e o prazer de coexistir. No mundo, todos eram estranhos, difíceis de conversar, susceptibilidades á flor da pele.

O vulto deu alguns passos pela rua, até divisar numa esquina um assalto a um casal que passava desprevenido. Cautelosamente voltou sobre os próprios passos, e voltou a passar pelo portão que se abriu automaticamente. Subiu o elevador, entrou em sua mini sala, ligou a TV na parede monitora. Hora de noticiário. Uma agradável apresentadora dava as notícias do dia. Havia passeatas em frente ao Congresso reclamando por trabalho, uma guerra no Oriente Médio e outra em África, Um governador de Estado e dois senadores envolvidos em corrupção ativa e passiva dizendo que eram inocentes, e o Movimento pelo Direito das Crianças, com integrantes entre os oito e os 12 anos de idade, pediam liberdade de expressão, direito de liberdade em seus relacionamentos, e controle do próprio horário para estudos, para dormir, e de relacionamentos com privacidade total. Exigiam ainda independência completa para decidir sobre o que fazer com a mesada financiada pelo Estado, a ser paga quando se formarem e arranjarem emprego, ou protelar a dívida até que trabalhem, uma espécie de escravatura consentida disfarçava de legal por força de contrato que violava os direitos da criança.

O vulto desligou a TV escovou os dentes, e olhou-se no espelho antes de se deitar. Vivia sozinho e tinha apenas 13 anos


Rui Rodrigues